Arquivo da categoria: Reflexão

Seu corpo é o que você come; sua mente, o que você assiste





 

TEXTO: Bruna Pestana Bezerra

Assim como temos que cuidar de nossos corpos, com uma alimentação sadia e bons hábitos, para não ficarmos doentes e insatisfeitos, temos que cuidar de nossas mentes.

Foi cientificamente comprovado que tudo aquilo que vemos durante o dia, mesmo que nosso consciente não perceba (as tão famosas mensagens subliminares), é processado por nosso cérebro; e ele, sem a ajuda do consciente, não tem capacidade de filtrar as informações. Daí o cuidado que precisamos ter com aquilo que assistimos e deixamos nossos filhos assistirem, uma vez que, processadas as informações indevidas, as tratamos como naturais.

Tenho percebido, com essa polêmica toda de Big Brother, fofoca de artistas, novelas de televisão, jornais sensacionalistas e filmes de péssima qualidade na TV aberta, que o brasileiro tem deixado um pouco sua mente de lado. E, assim como nosso corpo, ficamos doentes quando não cuidamos do que está dentro da cabeça.

O que não falta é inversão de valores e desvio de foco. Ninguém comenta mais sobre política, as leis do senado, e já pouco importa a cotação do dólar. Já não se fala mais em mitologia, cultura ou filmes que tragam realmente algum conteúdo; todo mundo quer saber “o que está acontecendo na casa”.

Vejo pessoas com medo de sair na rua, acreditando que todo mundo é mau, que somos todos lobos prontos para devorar uns aos outros, por acreditarem nas notícias que são apresentadas e enfatizadas na televisão. É o tão famoso “põe na tela”, que só mostra desgraça e deixa de lado a cultura, ações sociais e tantas outras coisas lindas que o nosso mundo tem todos os dias; afinal, esse tipo de assunto não dá tanta audiência…

Há banalização escrachada do sexo. No meu tempo – que não é há tanto tempo assim –, os filmes privês tinham cenas quentes menos explícitas que as das novelas da Globo ou da Record. E o pior de tudo é que somos nós que alimentamos essa máquina, damos audiência, corroemos nossas mentes e colocamos crianças e adultos na frente desta “tela de destruição cinzenta”.

Está na hora, então, de tratar melhor das nossas mentes. Quando aprendermos a filtrar o conteúdo que chega pelos diferentes meios de comunicação, a mostrar quais são os nossos reais valores, pode ser que tenhamos um mundo mais sadio, feito de mentes mais sadias. Em vez de perder tanto tempo querendo saber da vida dos outros, que tal pensar num jeito de ajudar os outros?

Fonte: www.revistainterludio.com.br


TV Causa "Dano Cerebral"


O curta faz um paralelo entre o ato de assistir televisão e um cérebro assando em um microondas.

Dirigido pelo amigo Jonas Galvão.

Migração Alada (doc)

 



Cinco integrantes de uma equipe de filmagem servem de testemunhas ao seguir uma grande variedade de pássaros durante sua migração passando por 40 países e 7 continentes. Contando com uma equipe de 450 pessoas, 17 pilotos e 14 câmeras, eles utilizam aviões, planadores, helicópteros e balões para voar ao lado, abaixo, acima e em frente dos pássaros. O resultado é um filme de extrema beleza que a revista Entertainment Weekly aclama como “Hipnotizante!” e o Los Angeles Times considera “Um filme de tirar o fôlego! Tão sublime e magnífico!” Abra os seus olhos para o mundo da natureza e voe com os pássaros mais maravilhosos desde áreas remotas como o Ártico e a Amazônia até áreas populosas como Paris e Nova York.


Informações
Gênero: Documentário
Tamanho: 816MB
Formato: BDRip
Qualidade de Áudio: 10
Qualidade de Vídeo: 10
Idioma: Português – BR

Som e pensamento moldam a matéria

S


Assista e reflita

Gurulândia – O mercado dos "gurus"


O setor da economia que mais cresce no país é a indústria de gurus. Conheça o “dream team” brasileiro dos palpiteiros profissionais

03.02.2009 | Texto por Kátia Lessa
Revista TRIP

Foi-se o tempo em que guru era aquele que andava descalço, vestia túnica longa de algodão laranja e desfilava de forma renunciada à matéria. Hoje, os homens que escrevem o futuro de políticos, grandes empresários e famílias milionárias capricham no terno, no topete e no barulhinho incessante da máquina registradora.

O que DeRose, autodenominado mestre de ioga há 30 anos, tem em comum com o psiquiatra Roberto Shinyashiki e com a fisioterapeuta Leila Navarro? Talvez nada? Certa a resposta. Menos ainda com o exe­cutivo Waldir Corrêa. Mas, ao lado de uma longa lista de profissionais das mais diversas áreas, que vão da medicina ao mercado financeiro, eles formam o “dream team” de palpiteiros profissionais.

De olho na demanda por conselhos que vêm de anos de experiência, ou apenas de uma habilidade de oratória aliada a uma boa dose de autoconfiança, esses caras movimentam milhares de reais por ano para lhe mostrar a luz, contar o segredo do sucesso ou até mesmo provar que você é do tamanho do seu sonho.

Palestras que chegam a custar R$ 15 mil, livros e mais livros nas prateleiras de auto-ajuda – que encabeçam as listas dos mais vendidos do país – e agora DVDs formam a indústria dos novos gurus. Precisa turbinar a sua carreira, sua vida pessoal ou sua conta bancária? Ligue já!

De Rose, o mestre zen DeRose
O mestre zen

De Rose, o mestre zen DeRose
o mestre zen

Nome e idade: Luiz Sérgio Alvares De Rose, 64 anos

Bio: Autodenominado mestre de ioga. Há mais de 20 anos, DeRose não trabalha com alunos, mas dedica-se a lecionar para profissionais das áreas de saúde, bem-estar, qualidade de vida e formação profissional

Obras: 20 livros com mais de 1 milhão de exemplares vendidos

Seguidores: Profissionais liberais, executivos, políticos e artistas

Que tipo de orientação as pessoas mais buscam com você? Todos buscam qualidade de vida, mas não sabem exatamente o que isso significa. O que eles desejam é maximizar seu rendimento sem sacrificar sua vida pessoal, suas relações afetivas ou sua saúde

Palestras:
Média de três palestras por mês.
Preço médio: de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Para entidades humanitárias, filantrópicas ou filosóficas não cobra nada

Linha que segue: Guru zen

O que faz de você um guru? “Não me considero um guru. Sou um profissional da área de qualidade de vida. Tenho quase 50 anos de experiência no Brasil e em vários países, com bons resultados obtidos”


Waldir Corrêa, o mago das finanças Waldir Corrêa
O mago das finanças


Nome e idade: Waldir Luiz Corrêa, 59 anos

Bio: Ex-executivo financeiro de inúmeras empresas brasileiras e americanas. Pós-graduado em Stanford, foi presidente do iBest e da Animec (Associação Nacional dos Investidores em Mercado de Capitais). Atuou como consultor e conselheiro fiscal de mais de 20 empresas e trabalha na gestão de carteiras particulares

Obras: Pretende escrever um livro sobre os casos mais polêmicos que envolveram grandes empresas

Palestras:
Preço: ganha dinheiro através das consultorias com clientes que consegue em palestras gratuitas

Quantas por mês: duas palestras e de cinco a dez reuniões de aconselhamento com empresas

Seguidores: Usineiros, banqueiros e donos de empresas de ônibus, além de famílias milionárias

Que tipo de orientação as pessoas mais buscam com você? O mercado financeiro é muito sofisticado e está cheio de investidores jovens, que podem arruinar grandes negócios. Eu tenho a experiência que eles procuram

Linha que segue: Guru financeiro

O que faz de você um guru? “A experiência que eu tenho no mercado. Sei exatamente como funcionam as maiores empresas, como Petrobras, AmBev e todas as mineradoras. Além disso, já participei da resolução de mais de 130 casos polêmicos no meio empresarial”


Leila Navarro, guru motivacional Leila Navarro
O guru motivacional

Nome e idade: Leila Maria Fernandes Navarro, 56 anos

Bio: Fisioterapeuta formada pela USP e especializada em medicina comportamental pela Escola Paulista de Medicina. É empre­sária e presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Capital Humano (Ipedesch)

Obras: Nove livros sobre autoconhecimento e desenvolvimento humano

Linha que segue: Guru motivacional

Palestras:
Preço: R$ 15 mil
Quantas por mês: média de 13 no Brasil, além de 30 por ano no exterior

Seguidores: Bancos Itaú e Bradesco, Johnson, Nextel, Vivo, Rádio Globo, Gafisa, FIEMG, Ciesp, Arezzo, Aché

Que tipo de orientação as pessoas mais buscam com você? As pessoas querem que eu lhes mostre a felicidade, o conhecimento e o sucesso, mas isso é um engano, pois tudo já está dentro delas. O autoconhecimento e a autoconfiança podem fazer milagres na vida de um ser humano

O que faz de você um guru? “Foco meu trabalho em autoconfiança, automotivação e autoconhecimento. Minhas palestras são uma injeção de ânimo e atitude nas pessoas. Sou conhecida como um Viagra empresarial”


César Souza, guru de liderança César Souza
O guru da liderança

Nome e idade: Carlos César da Silva Souza, 56 anos

Bio: Foi executivo durante 20 anos no Brasil e no exterior e há dez começou a consultoria Empreenda com outros sócios. Já falou para 8 mil pessoas numa empresa siderúrgica, para 6 mil pessoas numa grande empresa automobilística e para mais de 3 mil pessoas num campo de futebol no interior da Bahia

Obras: Três livros. O primeiro, Você é do tamanho dos seus sonhos, vendeu mais de 150 mil exemplares

Palestras:
Preço: R$ 15 mil, pagos à Empreenda e não ao palestrante
Quantas por mês: no mínimo quatro, no máximo oito. Mas já chegou a fazer 12

Seguidores: Accor, Nestlé, Petrobras, Siemens, Sebrae

Que tipo de orientação as pessoas mais buscam com você? As pessoas buscam descobrir o líder que existe dentro de si mesmas. Querem inspiração para criatividade, inovação e dicas para transformar sonhos em realidade

Linha que segue: Guru da liderança

O que faz de você um guru? “Nessa sociedade de alta especialização, em que cada um cuida apenas de sua parte, sou percebido como um profissional de pensamento integrador, que alia intuição e intelecto, arte e ciência, teoria e prática, emoção e razão”


Roberto Shinyashiki, guru do sucesso Roberto Shinyashiki
O guru do sucesso

Nome e idade: Roberto Shinyashiki, 56 anos

Bio: Psiquiatra com pós-graduação em gestão de negócios (MBA – USP) e doutor em administração de empresas pela USP

Obras: Autor de 14 livros, nove deles já venderam juntos mais de 6,5 milhões de exemplares no Brasil, na América Latina, na Europa e no Japão. Produziu ainda dois DVDs

Linha que segue: Guru do sucesso

Palestras:
Preço: não divulgado
Quantas por mês: média de seis.

Seguidores: Dimitrios Markakis, presidente da De Cicco

Que tipo de orientação as pessoas mais buscam com você? Caminhos para suas carreiras e idéias inovadoras para empresas

O que faz de você um guru? “Sou palestrante há mais de 30 anos e, devido à minha formação em psiquiatria, eu entendo de gente. Mas, além de pessoas, estudei muito sobre o mundo dos negócios”

Fonte: Revista TRIP – Texto por Kátia Lessa 

Sintomas de um planeta em maya ( ilusão )


Trilogia Qatsi: Koyaanisqatsi,Powaqqatsi,Naqoyqatsi e Baraka



Calma,não estamos xingando você…


Koyaanisqatsi: Life out of balance é um documentário lançado em 1983 dirigido por Godfrey Reggio com música do compositor Philip Glass.


A trilha sonora deste documentário possui grande importância pois o desenrolar tem a velocidade e o tom ditados por ela. Não existem diálogos e também não são feitas narrações durante todo o documentário.


São apresentadas cenas em paisagens naturais e urbanas, muitas delas com a velocidade de exibição alterada. Algumas cenas são passadas mais rapidamente e outras mais lentamente que o normal, criando, com a trilha sonora, uma idéia diferente da passagem do tempo. Vários dos efeitos apresentados se tornaram clichês usados em outros filmes e programas de televisão.



A palavra koyaanisqatsi tem origem na língua Hopi e quer dizer “vida desequilibrada”, ou “vida louca”. O significado é revelado ao final do documentário antes da apresentação dos créditos. No final do documentário são cantadas três profecias do povo Hopi em sua própria língua, as quais também têm suas traduções apresentadas antes dos créditos.



O filme leva sua audiência a refletir sobre os aspectos da vida moderna que nos fazem viver sem harmonia com a natureza, bem como a pressão exercida pelas inovações tecnológicas que tornam o cotidiano cada vez mais rápido.


Como curiosidade, podemos observar que próximo dos 37 minutos do início do filme, aparece a implosão do Edifício Mendes Caldeira, que deu lugar à Estação Sé, do Metrô de São Paulo.



Powaqqatsi: Life in transformation é um documentário lançado em 1988 dirigido por Godfrey Reggio com música do compositor Philip Glass.


É o segundo filme da trilogia Qatsi.


Powaqqatsi vem da língua Hopi e quer dizer “vida em transformação”.


Como os demais filmes da trilogia, não são apresentadas narrativas ou diálogos durante todo documentário. Apenas no final é revelado o significado do nome powaqqatsi.



Os filmes da trilogia estruturam-se num tripé: o encadeamento conceitual, a carga imagética e o rítmo musical: Godfrey Reggio, Ron Fricke e Phillip Glass, respectivamente, além de inter-relações. Ron Fricke não participou em Powaqqatsi.



O filme chama atenção pelas imagens fortes e contundentes, um caldeidoscópio de cores, comportamentos, culturas, festas, sofrimento. O tema destacado é o trabalho humano levado aos seus limites, uma loucura onde desestabilizamos o mundo para sobrevivermos em condições ultrajantes.


Pontilhado de paradoxos, a narrativa de Powaqqatsi descreve, ao som da música de Glass, o duelo entre o homem e a natureza, onde a adaptação da natureza aos nossos desejos produz o desequilíbrio que nos ameaça. A tecnologia se amalgama a Terra,destroi toda diversidade pelo padrão das repetições, como se o planeta fosse lentamente transformado numa fábrica insana. Ao lutar pela sobfrevivência, os homens são colocados no seu limite. As relações desiguais se configuram em exploração desenfreada.



A sequência inicial nos interessa de perto. Mostra Serra Pelada no auge do garimpo. Milhares de homens sujos de lama se embrenham terra adentro…olhares ambíguos…vazios de vida…cheios de esperança…corpos moldados pelo peso que carregam, e quem assiste as imagens se verga com eles. A música de Phillip Glass ressalta esse efeito num diapasão repetitivo, intenso, mas nunca monótono.



Recomendo que esse filme sirva de material para oficinas em comunidades onde a problemática ambiental tenha maior visibilidade.
Pode também ser usado para discussão em movimentos sociais sobre a dignidade do trabalho, a exploração e a busca de superar relações de desigualdade.



Naqoyqatsi: Life as war é um documentário lançado em 2002 dirigido por Godfrey Reggio com música do compositor Philip Glass e com trechos executados pelo violoncelista Yo-Yo Ma.


É o último filme da trilogia Qatsi, que é composta juntamente com os documentários Koyaanisqatsi (1983) e Powaqqatsi (1988). O primeiro aborda principalmente o hemisfério norte, o segundo o sul e países asiáticos, ficando com este terceiro a grandiosidade de abordar o planeta como um todo, conectado, globalizado, mergulhado na tecnologia que encurta distâncias e acelera processos de destruição devido ao seu mau uso.


Naqoyqatsi é uma expressão da língua Hopi que significa “a vida como uma guerra” ou “a guerra como um meio de vida”. Também há uma sugestão de interpretação como “violência civilizada”.



Ao contrário dos demais documentários da trilogia, Naqoyqatsi não foi produzido através de filmagens. Foram utilizados filmes e imagens de arquivo manipulados digitalmente e intercalados com cenas produzidas por computação gráfica, com efeitos de pós-produção como fotografia térmica. Esta maneira de produzir o filme não foi à toa; o diretor escolheu produzir o filme a partir de imagens e vídeos extraídos de banco de imagens para desta forma justificar a constante apropriação que o atual mundo tecnológico nos permite e nos impulsiona a fazer (samplers, remixagens, copy paste…). Além do mais, desta forma, o diretor acaba demonstrando também que a presença da tecnologia se faz essencial e predominante na produção do filme, ou seja, sem a tecnologia, nem o filme e nem nosso atual quadro de vida existiriam.



Este documentário leva a audiência a refletir sobre a nossa relação com a natureza, a influência da tecnologia em nossas vidas e as novas maneiras de se relacionar dentro de um atual quadro frenético mergulhado na conectividade tecnológica. Há uma ênfase especial sobre a competitividade, os conflitos do mundo e a violência.



Baraka (1992) é um documentário experimental americano,dirigido por Ron Fricke, cinematografista de Koyaanisqatsi, o primeiro da trilogia Qatsi, de Godfrey Reggio.


Baraka, uma antiga palavra Sufi que pode ser traduzida simplesmente por bênção (blessing), por respirar (breath), por essência da vida, é um poema visual, um filme sobre o mundo e o que há de espiritual e doentio nele, os contrastes das diferentes culturas e as semelhanças que elas têm na sua angústia e esperança na busca por Deus e na sua relação com a natureza.



Frequentemente comparado a Koyaanisqatsi, o assunto principal de Baraka é, de fato, similar, incluindo filmagens de várias paisagens, igrejas, ruínas, cerimônias religiosas e cidades, misturando com vida, numa busca para que cada quadro consiga capturar a grande pulsação da humanidade nas atividades diárias.



O documentário foi filmado em 70 mm colorido em 23 países: Argentina, Brasil, Camboja, China, Equador, Egito, França, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irã, Israel, Itália, Japão, Quênia, Kuweit, Nepal, Polônia, Arábia Saudita, Tanzânia, Tailândia, Turquia e EUA. Ele não contem diálogos ou cenas coesas, mas apenas imagens e som ambiente, conversas ou cantos, que podem ser considerados o narrador latente de uma intenção universal espiritual.



Segundo os críticos, Baraka é um filme que, de modo não-verbal e não-linear, discute o sagrado e o humano; a ordem natural e a entropia; a santidade e o materialismo. Portanto, é um filme dialético, totalmente dependente da percepção e interpretação do espectador. Não importa quem você seja ou onde viva: você também está em Baraka.



A espiritualidade é latente no filme inteiro. De acordo com a Antropologia, o aumento da capacidade cerebral fez com que o homem formulasse questões mais complexas, dentre elas de onde viemos e para onde vamos. A busca pela resposta levou diversas culturas diferentes a admitirem a existência de um ser superior, um Deus. Em Baraka, é como se de repente todas as culturas resolvessem mostrar qual o seu Deus, sendo que o ocidente é responsável por algumas das imagens mais tristes e chocantes do filme.



Na sua negação de um Deus primitivo que é objeto de cultos e sacrifícios, o ocidente cultua a mecanização, a ciência, colocando em segundo plano a humanidade, no sentido da compaixão. Esse é o significado da cena dos pintinhos dentro da máquina, o mesmo significado das cenas de guerra.



Baraka é um filme sobre a vida, um registro da humanidade que propõe não uma aceitação do que somos, mas a reflexão de que estarmos acostumados com alguma coisa não quer dizer que ela seja correta, assim como algo de outra cultura nos chocar não significa que seja algo ruim ou bárbaro. É para quem está de saco cheio de filmes com muito efeito especial e pouco conteúdo, e da previsibilidade dos roteiros básicos e rasos do tipo mocinha conhece mocinho, dificuldades os separam, mocinhos sofrem, mas ficam juntos no final.

Matéria do cinéfilo do site: http://cinemasmorra.com.br