Arquivo mensal: março 2010

Somos Todos Um (doc)


CHICO XAVIER

Programas históricos com Chico Xavier 
( Pinga-Fogo – tv Tupi )

Na noite de 28 de julho de 1971, a TV TUPI Canal 4 apresentou, em seu programa jornalístico Pinga Fogo, o médium espírita Chico Xavier, respondendo perguntas dos jornalistas Saulo Gomes, Reali Jr., Helle Alves e Herculano Pires; do intelectual católico João Scantimburgo e de um pastor evangélico. Neste marco do jornalismo brasileiro, Chico Xavier deixou ensinamentos para milhões de pessoas de todas as camadas sociais e culturais, sobre o porquê da vida, quem somos nós, para onde vamos após a morte do corpo físico, entre outros temas. O programa, previsto para durar 60 minutos, durou quase três horas. Atendendo a milhares de pedidos da população, a TV TUPI fez, em dezembro do mesmo ano, um Pinga Fogo Especial com Chico Xavier, quando o Brasil parou para assistir as palavras de Francisco Candido Xavier (1910-2002), o maior médium de todos os tempos. 

Alguns dos temas abordados por Chico Xavier em Pinga Fogo: Mortes coletivas – Comunicação com parentes falecidos – O momento da morte – Operações plásticas – Cremação – Hippies – O Espiritismo e a Pena de Morte – Emmanuel foi o Padre Manuel da Nóbrega – Congelamento de corpos – Planejamento familiar – O Espiritismo e o Aborto – Transplante de órgãos – Materializações de espíritos – A censura dos espíritos – Psicografia – Vidência Espírita – Cirurgias espirituais – Psicografia católica – Moisés, o primeiro médium da história – Os espíritas são conformistas? – Contatos com outros mundos – A chegada do homem a Lua – Homossexualismo – Casamento e Divórcio – Crescimento da população da Terra – Reencarnações – O momento da reencarnação- Sexo livre – Legalização de jogos de azar – Armas de extermínio.


 

O uso da carne na alimentação

A Vida Noutros Planetas

Evolucao em Dois Mundos

Homossexualismo


A reencarnacao 

A Violencia e o Consumismo

Materialismo ou Conformismo

 

“Conhecereis a Verdade e ela vos libertará”


Muitos entendem que a Bíblia,

vista como a palavra de Deus, não pode ser questionada, apenas obedecida.

Ma será que tudo que era

bom nos milênios passados continua servindo

nos dias atuais?

Se há contradições no corpo de uma obra,

é coerente aceitá-la cegamente, ao pé-da-letra

e em sua totalidade?

É incontável o número de contradições

encontradas na Bíblia.

Muitos dos que contestam a

os espíritos,

a reencarnação, etc., fazem-no

acreditando-se apoiados na Bíblia.

Mas será que é bem assim?




Não há qualquer intenção de denegrir essa obra ou diminuir sua importância como roteiro material e espiritual que conduziu, e ainda conduz o povo israelita, e continua a ser um farol a iluminar milhões de mentes e corações, principalmente no mundo cristão. Mas a verdade, neste caso, deve ser dita com toda clareza, porque só ela tem a força de abrir algemas estruturadas ao longo dos séculos e desfazer cristalizações milenares, numa época em que a razão começa a predominar sobre a imposição.

Muitos entendem que a Bíblia, vista como a palavra de Deus, não pode ser questionada, apenas obedecida.

Sabemos que o ser humano evolui com o passar do tempo. A mentalidade da humanidade, hoje, é bem diferente daquela que marcou os séculos e os milênios passados. É a força da vida impulsionando a criatura para frente, modificando sua ótica, seus enfoques, seus conceitos, suas concepções. É como alguém que vai subindo pelas encostas de uma colina; quanto mais sobe, mais vasto vai ficando o horizonte que sua vista alcança.

Será que tudo que era bom nos milênios passados continua servindo nos dias atuais?

Certamente, não.

Exemplo disso temos nas leis do Antigo Testamento, das quais apenas umas poucas podem ser aplicadas na atualidade.

Na Bíblia encontramos dois tipos de mentalidade: as duras leis de Moisés, cobrando “olho por olho e dente por dente”, e o Evangelho onde Jesus recomenda perdoar as faltas alheias de forma incondicional; amar a Deus, em vez de temê-lo; amar o próximo como a si mesmo, e praticar o bem em todas as suas expressões.

As leis de Moisés eram adequadas e corretas para educar aquele povo rude e indisciplinado, em suas fases mais primárias. Já as que foram trazidas por Jesus, mostram o amor e o perdão, além de vários outros valores, como atitudes a serem aprendidas e praticadas.



PERGUNTA FREQÜENTE

Se as religiões judaico-cristãs têm suas bases assentadas na Bíblia, qual delas está com a verdade, já que todas possuem argumentos que entendem serem os mais fortes?



Vamos raciocinar um pouco?

Se você estiver elaborando seu orçamento doméstico e alguém lhe afirmar que 5 mais 3 são 11, o que fará?

Vai aceitar esses valores como certos, só porque alguém em quem você acredita disse isto, ou irá fazer a conta para ver se aquela afirmação está correta?

Se aceitar simplesmente o que lhe dizem, sem nada questionar, você se arrisca a ter grandes problemas em sua vida.

O mesmo acontece com relação às religiões. Cada uma diz que está com a verdade, embora todas pensem diferentemente umas das outras.

Que fazer então, para encontrar a verdade religiosa?

Certamente o mesmo que você faria para encontrar os valores reais para o seu orçamento: calcular, analisar, questionar, usar a razão e o bom senso.

Então, temos o seguinte:

Se fossemos obedecer tudo que manda a Bíblia, principalmente as leis de Moisés, teríamos de:

a) Matar os filhos que nos faltassem com o devido respeito. Esse mandamento está em Êxodo 21:17.

b) Executar sumariamente todos que alguma vez tivessem relações sexuais com outra pessoa que não o seu cônjuge. Esse mandamento está em Levítico 20:10.

c) Matar tanto o homem quanto a mulher que tivessem relação sexual estando ela menstruada. Esse mandamento está em Levítico 20:18.

d) Executar todo aquele que fizesse qualquer atividade no dia de sábado. Esse mandamento está em Êxodo 20:8 a 11 e Levítico 23:3.

e) Matar a quem ingerir sangue. Esse mandamento está em Levítico 7:27.

Essas são apenas algumas das muitas situações para as quais as leis do Antigo Testamento determinam pena de morte:

Se não acredita, pode conferir na Bíblia.

Seus cinco primeiros livros são conhecidos como o Pentateuco. Neles é narrada a criação da Terra, de Adão e Eva, e a saga de parte da sua descendência até a chegada do povo israelita às vistas da terra prometida, e a morte de Moisés. Trazem também as leis, desde os dez mandamentos, recebidos no monte Sinai, até às mosaicas, ou leis de Moisés, assentadas no princípio olho por olho, dente por dente.

É fácil entender porque Moisés estabeleceu leis com penalidades tão severas. Elas eram necessárias para disciplinar aquela gente de índole rebelde. Tamanho rigor podia também justificar-se pelo fato de não haver prisões, e por isso, para um povo nômade, que vivia a peregrinar pelo deserto, não era possível escalonar castigos proporcionais à gravidade dos delitos.

As leis de Moisés, como se pode facilmente perceber, eram normas temporárias, elaboradas para um povo, num determinado momento de sua história. Só que hoje, no mundo moderno, uma parcela da humanidade ainda guia-se por elas. É por isso, por essa fuga à realidade, que há tanta confusão religiosa no mundo ocidental.

Isto ocorre porque a mente humana vem sendo condicionada desde a sua pré-história a obedecer cegamente a líderes que se apresentam como representantes da divindade, esse algo misterioso, muitas vezes assustador, e que se acredita ser o mandante de castigos e também doador de benesses. Com isso, as gerações foram se acostumando a obedecer cegamente suas religiões, sem nada questionar.


Mas quem deseja abandonar esse status quo, sair dessa condição de rebanho, assumir a realidade que a evolução possibilita, encontra sempre grandes dificuldades interiores, e o medo de estar dando um passo errado e por isso ser castigado. E essas dificuldades se multiplicam quando irmãos de outros credos se põem a pregar, afirmando de forma incisiva e veemente as suas crenças.

Os longos condicionamentos psicológicos são muito difíceis de ser erradicados.
É importante para quem está procurando, poder fazê-lo com a mente livre dessas amarras milenares. E é justamente esse conhecimento que irá liberá-lo de possíveis sentimentos de culpa, para que possa, com a alma leve e o espírito tranqüilo, iniciar uma nova etapa na busca da verdade, a procura de Deus.

Mas isto absolutamente não significa que estejamos amesquinhando o papel da Bíblia, ao contrário. Seus ensinamentos morais têm sido o farol a iluminar o povo israelita e todos os povos cristãos, sem falar no Evangelho, esse roteiro de luz que chegou ao mundo como o maior dos sorrisos na história do pensamento humano.

Mas é indiscutível que a Bíblia deve ser considerada um livro sagrado, pelos extraordinários valores éticos e religiosos que apresenta, mas nem por isso se deve aceitar cegamente tudo que ela diz. O bom senso não permite ignorar as inúmeras contradições e incoerências que são encontradas em seu corpo, particularmente no Antigo Testamento.

E para que as coisas fiquem claras e não restem dúvidas, vejamos em primeiro lugar algumas de suas contradições:

1 – A primeira se encontra logo no primeiro capítulo de Gênesis, com a criação das noites e dias, a separação das águas, a produção de relva e árvores frutíferas que davam frutos e sementes, para só depois, no quarto dia, serem criados o sol, a lua e as estrelas. Como poderia haver noites e dias, plantas frutificando, sem o sol?

2 – A humanidade inteira, durante milênios e até hoje, estaria pagando pelos pecados de Adão e Eva, embora Deus tenha afirmado em Ezeq. 18:20, Deut. 24:16, Jer. 31:29/30, que os filhos não pagam pelos pecados dos pais, nem o justo pelo pecador. E se o justo não paga pelo pecador, por que Jesus teria morrido na cruz para pagar pelos pecados da humanidade?

3 – Em Êxodo 9:1 a 7 vemos Deus mandando uma praga que matou todos os animais dos egípcios, inclusive os seus cavalos, mas dias mais tarde a cavalaria egípcia é afogada no Mar Vermelho. Que cavalaria, se todos os cavalos tinham sido mortos com a praga?

4 – Como poderíamos conciliar (Ecles. 9:15) que diz: “Os vivos sabem que hão de morrer mas os mortos não sabem de cousa alguma”, com a parábola sobre o rico e Lázaro (em Lucas 16:23); ou com a cena em que Moisés e Elias (mortos há séculos), conversaram com Jesus no monte, na presença de três apóstolos (Lucas 9:30), ou ainda, com a entrevista que teve Saul com o espírito de Samuel, já que este estava morto? (1o Samuel 28:11/20).

5 – Em Oséas 6:6 Deus diz: “Misericórdia quero e não sacrifícios e o conhecimento de Deus mais do que holocaustos”. No entanto, Ele próprio ordena oferendas, holocaustos e sacrifícios pelos mais insignificantes delitos… E não só pelos delitos, mas também por uma infinidade de comemorações e obrigações.



QUESTIONAMENTO PARA REFLEXÃO

Se há contradições no corpo de uma obra, é coerente aceitá-la cegamente, em sua totalidade?

Mas no Novo Testamento também há inúmeras incoerências e contradições, como, por exemplo:

a) João afirma: “Se dissermos que não temos pecado, não existe verdade em nós” (1o João, 1:8), mas no cap. 5:18 ele mesmo afirma que “quem é nascido de Deus não peca”.

b) Em 1o João 2:2 lemos: “Jesus é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos mas ainda pelos pecados do mundo inteiro”, mas logo adiante, no capitulo 5, vers. 19 contradizendo o que dissera, voltamos a ler: “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no maligno”.

c) Também os apóstolos nunca se entenderam quanto ao instrumento da salvação, se seria a graça, as obras ou a fé.

d) E lembramos ainda Jesus quando disse: “Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, sem que venha o Filho do Homem” (Mateus 10:23), “Alguns dos que aqui estão não verão a morte sem que vejam o Filho do Homem no seu reino” (Mateus 16:28), e, falando sobre o que é interpretado como sua segunda vinda, afirmou que não passaria aquela geração sem que tudo se cumprisse.

Mas é bom lembrar que os Evangelhos foram escritos muitos anos depois da morte de Jesus, foram copiados e re-copiados milhares de vezes, sofreram inúmeras traduções, interpolações, interpretações e até mesmo modificações e enxertos em seus textos, visando acomodá-los às idéias e interesses da Igreja. Como exemplo podemos citar a guarda do sábado, que foi simplesmente transferida pela Igreja para o domingo.

Também há grandes contradições entre o Velho Testamento, os Evangelhos e as Epístolas. O conteúdo da mensagem de Jesus está integralmente calcado na mais perfeita justiça, na mansuetude, no perdão e no amor. Já o discurso de alguns dos fundadores do cristianismo difere essencialmente dos ensinamentos de Jesus. Por exemplo: o Mestre coloca o amor e a prática do bem, como condições únicas para se alcançar o reino de Deus. Já Paulo afirma que a salvação vem apenas pela fé. Diz ele: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rom. 3: 28). Enquanto isso outros apóstolos ensinam que a salvação é pela graça e outros ainda, afirmam que é pelas obras. Como se vê não existe consenso em seus ensinamentos, ou seja, apresentam contradições.

E essas contradições acabaram por produzir centenas de religiões que interpretam a Bíblia, cada qual à sua maneira.

O que mostramos até aqui é apenas um fração de todas as contradições e incongruências que podem ser encontradas na Bíblia. Alguém que queira aprofundar-se mais encontra farta bibliografia a esse respeito, como por exemplo, no livro já citado O Espiritismo e as Igrejas Reformadas.

Mas é possível encontrar explicações para algumas dessas contradições, principalmente as do Novo Testamento.

O conceituado escritor Carlos Torres Pastorino, diplomado em Filosofia e Teologia pelo Colégio Internacional S. A. M. Zacarias, em Roma, e Professor catedrático no Colégio Militar no Rio de Janeiro, no livro Sabedoria do Evangelho diz:

“Os primeiros exemplares do Novo Testamento eram copiados em papiros (espécie de papel), material frágil e facilmente deteriorável. Mais tarde passaram a ser escritos em pergaminho (pele de carneiro), tornando-se mais resistentes e duradouros.

Os manuscritos eram grafados em letras “capitais” ou unciais” (ou seja, maiúsculas). Só a partir do 8o século passaram a ser escritos em “cursivo” ou letras minúsculas.

Os encarregados de copiar os manuscritos eram chamados copistas ou escribas. Mas nem sempre conheciam bem a língua, sendo apenas bons desenhistas das letras. Pior ainda se tinham conhecimento da língua, porque então se arvoravam a “emendar” o texto, para conformá-lo a seus conhecimentos.

Não havia sinais gráficos para separação de orações, e as próprias palavras eram copiadas de seguida, sem intervalo, para poupar o pergaminho que era muito caro. Daí inúmeros recursos empregados, como por exemplo, as abreviaturas, as interpolações e muitos outros, que acabavam mudando os textos originais. Há também a questão das traduções, das inserções e modificações que foram feitas ao longo do tempo para atender a diferentes interesses.”

Também a isto se devem algumas das contradições e muitos trechos de quase impossível entendimento racional.

No livro citado anteriormente, Torres Pastorino transcreve um texto de Orígenes, considerado um dos maiores exegetas (estudioso e intérprete de textos bíblicos) que, referindo-se às cópias do Novo Testamento, diz: “Presentemente é manifesto que grandes foram os desvios sofridos pelas cópias, quer pelo descuido de certos escribas, quer pela audácia perversa de diversos corretores, quer pelas adições ou supressões arbitrárias”.

Fica assim bem claro que o Novo Testamento que hoje lemos sofreu infinitas modificações, não sendo possível, portanto, aceitá-lo “ao pé da letra”.



PERGUNTA LÓGICA

Existe alguma religião ou doutrina que possa ser seguida cegamente, sem questionamentos, sem usar a razão, o bom senso?
Certamente, não.

Vamos então concluir a análise desta questão, com lógica e bom senso.

Para que a verdade plena estivesse na Bíblia, esta teria de ser absolutamente coerente, sem contradições e estar de acordo com a razão, porque as contradições no corpo de uma doutrina fragilizam a sua credibilidade.

Muitos dizem: “A Bíblia é a palavra de Deus e precisa ser obedecida e não compreendida”.

Mas se Deus nos deu o raciocínio e um pouco de sabedoria, é para podermos discernir em nossa busca pela verdade. E lembramos que Jesus afirmou: “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará”. Com isso Ele deixou claro que veio nos ensinar uma ética de vida, como realmente o fez, mas a Verdade (ou mais uma parte dela) viria mais tarde, quando o ser humano já estivesse bastante amadurecido para entendê-la e poder, assim, libertar-se dos condicionamentos milenares a que se encontra algemado.

Além disso, para ser a “palavra de Deus”, a Bíblia teria de ser absolutamente coerente e vazada em todo o seu corpo na mais perfeita justiça, ética e amor, tendo em vista que deve refletir as qualidades d’Aquele que o teria escrito ou ditado.

Assim, o bom senso nos diz que a verdade plena está apenas com Deus. Só Ele tudo sabe.

Sendo assim, nós só temos dela vislumbres… E é por isso que brigamos e até desencadeamos guerras sangrentas, porque cada qual entende ser o dono exclusivo da verdade, quando realmente só tem dela alguns fragmentos.

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Retirado do site espiritualista: http://www.mundoespiritual.com.br

                                                                                                              

Oº° Respiração Vitoriosa Oº°

U j j a y i    P r a n a y a m a


*Superando seus limites com uma respiração vitoriosa*

Muitos dos nossos limites são impostos pela mente e seus padrões inflexíveis. Estes limites quebram toda harmonia entre a alma, a mente e o corpo. Como resultado, temos um ritmo de vida imensamente insatisfatório devido ao ritmo artificial e acelerado que impomos ao nosso corpo e à mente. Sem que se perceba, criamos todas as condições necessárias para que nossa vida se torne um poço de ansiedade e frustração.

A prática disciplinada do yoga, como é tradicionalmente conhecida – e a importância que é dada à respiração, é o método que foca todas as forças vitais, colocando o praticante em contato com seu ritmo interno. Com o controle da respiração, a mente torna-se calma, possibilitando a percepção real do tempo, dissolvendo as barreiras mentais impostas como externas, mas que na verdade estão dentro da própria mente que observa e apreende o mundo externo, e impossibilita a sintonia com a essência do universo. Como foco mental, compreende-se a total ausência de esforço, algo que ocorre naturalmente com o tempo de prática respiratória. Na prática de yoga não é necessário uso de força, mas de consciência e permanência. A força é apenas um mecanismo que o corpo necessita até que se domine a postura mentalmente e na consciência. O mesmo ocorre com a respiração. Quanto menos esforço e mais consciência, melhor e mais rápido serão os efeitos.

Alimentando-se de Vitalidade

É difícil dissociar entre mente e respiração. Uma define e se define pelo estado ou ritmo da outra. Por isto, em muitas culturas que conhecem a transcendência mística, o espírito e a respiração são vistos como sendo da mesma natureza. De fato, no Vedanta-sutra se apresenta a energia vital como estando relacionada mais com o estado mental que com a alma. Alma (atma)e respiração não são da mesma natureza. A respiração possibilita a permanência da alma dentro do corpo físico, apenas. Mas, a consciência de como ocorre esta ligação da mente com o corpo e com a alma é um tema que nos conduz naturalmente ao autoconhecimento.

Em sânscrito a palavra prana (ar vital) traz os significados de spiritus para o Latin e ruach para o hebráico. No Português a mesma palavra é traduzida como respiração e dá o sentido de espírito e alento vital, graças à tradição judaico-cristã. Por isto se acredita que a respiração de um novo ser que nasce é literalmente o sopro vital do espírito original. De qualquer forma, vida significa respiração, pois ninguém consegue permanecer por mais de alguns poucos minutos sem respirar, embora o corpo consiga permanecer por alguns dias sem se alimentar ou se hidratar. Desse modo, a respiração é a fonte da vida e da vitalidade. A respiração é o espírito se movendo no ritmo do corpo na busca de sua plenitude.

Pelo fato de mente e respiração serem da mesma natureza, a respiração atua como um modelo a ser seguido pela mente. Por outro lado, o estado mental dita condições que a respiração assumirá diante os eventos do dia-dia. Quando a respiração oscila sem um ritmo constante a mente também se torna oscilante, mas quando a respiração permanece estável a mente também se estabiliza num ritmo natural do ser.

Esta estabilidade pode ser facilmente alcançada pela prática de Mahadi-pranayama e Ujjayi-pranayama. Vejamos detalhes sobre Ujjayi-pranayama.

Ujjayi-pranayama

O significado literal desta respiração é “expansão vitoriosa da vitalidade”. Sua ação está diretamene ligada ao movimento do diafragma e sua tonificação. Tente praticar esta pranayama com respiração completa. Este é um dos pranayamas mais utilizados nas atuais práticas de asanas, notando apenas um cuidado mais atento em casos de hipertensão e hipertiroidismo.

Execução:

Sente-se em sukhasana ou numa postura meditativa que seja confortável para você. Preferindo, você pode também permanecer deitado em postura de relaxamento (savasana – postura do corpo imóvel).

Esvazie os pulmões;

Inale e exale lenta e profundamente até dominar bem os limites de seu volume respiratório;

Inale pelas narinas tendo a glote parcialmente fechada – fazendo o ar friccionar-se com o conduto respiratório -, o que produzirá um som doce, uniforme e baixo; pressionando a língua contra a região do palato mole, no céu da boca, limitando a passagem de ar pela glote. Esta leve pressão na passagem de ar produzirá um suave e sonoro ruído que deverá ser macio, para não irritar as cordas vocais.

Coloque mais atenção na garganta e região faríngea, sentindo como se estivesse prestes a engolir o ar inalado.

Inale e exale até seu limite por completo pelas narinas, mantendo a boca fechada e contando o tempo de um a seis;

Inale produzindo um longo som “ssssss”;

Exale mantendo a glote levemente fechada produzindo um suave som “hhhhhhh”;

Faça a inalação e a exalação longa, lenta e consciente.

Repita o ciclo.

Permaneça atento ao processo natural da respiração e sinta o ar inalado pelas narinas sendo transportado pelos canais do sistema respiratório.

Procure concentrar-se apenas no som e na sensação intensa da respiração. Inicialmente respire deste modo por 3 minutos e progressivamente procure chegar a 10 minutos.

Foque sua exalação e observe o seu limite numa exalação completa, tentando expandir mais a cada exalação.

Observe sua mente fluir enquanto está respirando e procure manter-se dominando tais passeios da mente até que ela se estabilize no ritmo da respiração.

Benefícios:

Reduz o muco e o catarro;

Estimula o sistema endócrino;

Benéfico para a tireóide;

Aumenta a temperatura do corpo;

Aumenta a pressão sangüínea;

Indicado para problemas digestivos;

Previne resfriados e tuberculose;

Executado sem retenção é indicado para hipertensos;

Alivia estados depressivos.



A Vida Presente na Respiração

Respiração é o estímulo que alimenta o fogo interno do corpo físico e mantém a vitalidade. A energia vital, prana, é controlada pelas técnicas respiratórias do yoga. No Astanga-yoga, a respiração ujjayi é indicado para intensificar a absorção de prana pelos sistemas internos do corpo e apaziguar a mente. Toda a respiração ocorre nazal, embora seja produzido nesta respiração uma suave sonoridade do ar que passar pressionado na garganta produzindo um som sibilante. Este som ajuda na concentração mental e aquece imensamente os órgãos internos.

Pelo fato da mente estar sempre flutuando em pensamentos e sensações que trazem desejos, o som da respiração facilita a introspecção, trazendo o foco mental para dentro, a partir do som próprio da respiração. Desta concentração interior da mente, teremos alcançando bons resultados de nossa prática de yoga. A respiração é o canal que liga o corpo à mente. Isto justifica a importância das técnicas respiratórias do yoga, os pranayamas, e especificamente este, ujjayi-pranayama.

Bibliografia

IYEMGAR, B.K.S. Light On Pranayama, HaperCollins Publishers, New Delhi, 1986.

DAS, Jayadvaita. Pranayama – Alcançando a Plenitude Através da Respiração, Edição Independente. Rio de Janeiro, 2006.

Postedo por Jayadvaita Das no blog: astangayoga.blogspot.com